A Concessão pelo conc. De Abrantes e com autorização de D. Afonso III a D. Estêvão Anes “de Sousa”, que era já no além-Tejo senhor de Alegrete, estava facilitada, pelo seu alto cargo e porque era seu genro, casado com a sua filha bastarda D. Leonor Afonso, e esta enviuvando dele, e sem descendência, herdou-lhe todos os bens, entre eles pois, a sua metade da Mata de Alfeijolas que ela, depois e tudo o indica veio a doar à Ordem do Hospital. Casada posteriormente com D. Gonçalo Garcia e já viúva e também sem descendência deste, fez doação da outra metade da Mata de Alfeijolas em 1288 à Ordem, o que se explica pela declaração expressa que fez de que tais bens, então cedidos, eram apenas os que “lhe acaecêrom del conde D. Gonçalo”, isto é, os que dele herdou. Para a inteira possibilidade da doação de Aldeia da Mata, vale muito menos, o facto de hoje não se conhecer teor ou registo da doação, e só assim se explicar como é que toda a localidade aparece depois na posse material e espiritual da Ordem do Hospital.
É registo de nota que as composições feitas entre o chanceler D. Estêvão Anes e esta milícia mostram ainda que a Mata de Alfeijolas estava limitada, com pertenças bem definidas, e continha já população e agricultura e não era apenas o que fora e o seu nome indica uma mata ou floresta (mata de estevas e esconderijo de lobos). A população progrediu razoavelmente e teve sempre população digna de nota relativamente aos lugares vizinhos. A igreja de S. Martinho deve ter sido fundada com o repovoamento, no séc. XIII, e como se trata de instituição da milícia hospitalária (séc. XIII-XIV), a paroquia de S. Martinho de Aldeia da Mata, ficou a ser do padroado da Ordem, razão porque ainda nos finais dos padroados a reitoria aparece na apresentação do grão Prior do Crato. Aldeia da Mata
Necrópole Romana da Lage do Ouro, do século III d.C., de médias dimensões, servindo uma população rural, talvez do Vicus Camalocensis, a que uma lápide alusiva ao Deus Júpiter (Jovi Óptimo Maxumo) se refere, ao mencionar os “vicarii” dessa povoação que tem sido dada como possível percursora do Crato medieval. A primeira notícia da epígrafe foi dada por Frei Lucas de Santa Catarina em 1734. Numa área de cerca de 10.000 m2 juncada de fragmentos cerâmicos (tegulae, imbrice) denunciando a feitura dos muros circundantes o aproveitamento de silharia granítica proveniente, ao que se supõe, de estruturas edificadas já destruídas. No mesmo local foi encontrada uma pequena lápide funerária com inscrição latina (depositada no Museu Municipal do Crato) e outra de maiores dimensões, em granito, de forma paralelipédica alongada, com 2,37m de altura, também com inscrição latina acompanhada no topo pelos símbolos cósmicos da roseta solar e da lua.
Os mortos e a sua memória Na religião dos romanos o culto dos mortos ocupava um lugar de destaque. Acreditava-se na vida depois da morte, mas para a alcançar era necessário que todos tivessem o seu túmulo. Os túmulos eram locais sagrados e assinalava-se o seu local, para que os passantes respeitassem a memória de quem lá estava. Por vezes colocava-se apenas uma simples telha, semi-enterrada na cabeceira da sepultura, quem tinha possibilidades mandava fazer uma estela ou altar, de granito ou mármore, onde se gravava o nome do defunto, para que fosse recordado para sempre.
CAMIRA “Aqui jaz Máximo, filho de Doquiro, de … anos” (lápides sepulcrais romanas encontram-se no Museu Municipal do Crato) Na Laje do Ouro foram escavadas 136 sepulturas. Em algumas, os defuntos foram queimados vivos como se fosse um sacrifício aos Deuses, noutras os defuntos foram apenas enterrados. Nas covas eram sempre colocadas juntamente com as cinzas ou com o corpo, objectos diversos – brinquedos, pratos, vasos para beber e ferramentas, para serem usados na vida eterna. Neste cemitério enterraram-se os habitantes de uma vila, que se situava a algumas dezenas de metros. Foi utilizado entre o século I e os séculos VI/VII depois de Cristo.
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